2006-06-12

já que não falamos em mais sítio nenhum, já que tem sido difícil estarmos. eu contigo, tu comigo, eu com alguns poucos que aqui vêm, esses alguns poucos comigo. aqui fica um bocadinho.

a pingar água que nem fonte milagreira. venho da lezíria. há mais de uma semana que não arranjava tempo para sair de bicicleta.

os ensaios vão andando. às vezes fico à beira do precipício. ainda não sou senhor do corpo como se quer no teatro. entre as várias lacunas, é essa a que mais me perturba. em 10 segundos de representação tenho 20 coisas às quais tomar atenção, 20 erros a aperfeiçoar. às vezes só apetece desistir. ainda para mais estou a trabalhar com profissionais. no fundo, eu estou a tirar um curso, a fazer a minha formação, e eles a trabalhar. é um desequilíbrio terrível para mim, que suporto muito mal estar a aborrecer as pessoas, que suporto muito mal não ser capaz de. mas depois vou ao lugar, faço ligeiros progressos, recupero um pouco de alento. mas está a ser e ainda será muito duro. mas bom. mas bom, mas mau, mas bom. sempre assim.

na noite perco-me facilmente. ou tenho um sítio onde a música me possa ancorar, onde possa tentar dançar, com a ajuda de algum álcool e coiso, ou então é o sentimento de deriva constante. exemplo da deriva: sábado fui ao grémio, cheguei lá tarde, às 4. o chão estava peganhento, a temperatura e cheiro do ar eram a dos corpos elevados ao quadrado. atravessei a sala directamente para a varanda que dá para o rossio e fiquei por lá grande parte da noite a ver as vacas sem pasto e os polícias a pastarem a sua guarda, entediados de morte. jim morrisson a cantar o light my fire. depois voltei para junto das pessoas com quem vim e fiz ninho.

hum. gostava de ir ver alva noto e sakamoto. mas ainda não sei. tenho bilhete pago para o teatro no mesmo dia. a ver.

1 comments:

Anónimo disse...

olá, adorei este blog:), devias escrever mais ... é lindo de se ler!
beijinhos
Maria